José Roberto Vieira Pajem

Registrado em: Quarta-Feira, 1 de Julho de 2009 Mensagens: 12 Localização: São Paulo
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Enviada: Qua Ago 19, 2009 7:14 pm Assunto: O Baronato de Shoah - prelúdio de Romance Steampunk |
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Em primeira mão, o prelúdio do romance steampunk "O Baronato de Shoah".
Espero que apreciem esta obra e comentem suas primeiras impressões sobre a história!
PRELÚDIO - Namid
Quando ela nasceu, nenhum dos Antigos viu seus olhos.
Havia apenas medo e temor, quando a criança das sombras nasceu.
Jogaram–lhe as runas pintadas com sangue e gelo para ver seu futuro: imagens sem vida, sem tempo, sem alma, borradas por lágrimas de fogo e desespero. Sem ter pra onde ir, que fariam elas? Seriam apenas lembranças ávidas do devir, arremessadas por mãos idosas.
Uma sombra volitava acima do mundo, densa como neve, forte como a tempestade. Houve comoção nas terras brancas de Hellyah, onde, tal como a guerra, o frio jamais cessa. As tribos silenciaram, não houve canção de guerra, nem o lobo uivou, ou o urso rugiu. Nenhuma das mulheres clamou pela criança, nenhum pássaro crocitou na noite eterna que cobria a terra–do–povo; se alguém tivesse quebrado o silêncio, outro destino aguardaria o maldito.
A silente melodia foi ouvida.
Dizem as lendas que a prole do rei fora nomeada “Namid” porque tinha o rosto duma canção e o olhar escuro de todas as sombras – e nenhuma. Era o dançarino das estrelas, o mal predito em palavras de senis testemunhos.
Continuaria o pueril espírito vivo? chorou na presença da morte? Se chorou, filho do rei não era. Pois não descendem os fracos dos fortes, sozinho e maldito nesta terra a prole era um canto de morte… e no abismo sombrio, arremessada foi...
Dizem eles que nenhuma lágrima foi derramada na tribo. Não havia espaço para a dor, não havia espaço para o sofrimento.
Dor era fraqueza. Fraqueza era crime. Sofrimento era a vida; a vida dos khans em sua eterna guerra contra Gellius, o cândido flagelo.
As montanhas de Hellyah abraçaram carinhosamente seu filho: frias, distantes, concupiscentes, maternais.
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